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Seg, 27 de Agosto de 2012 17:30

Expositora da Art Mundi vai dar aula de artesanato na UFMG

Valéria Tristão é especializada em trabalhos em cabaça, o mesmo material usado na cuia do chimarrão


Casal de noivos concebido pela artesã Valéria Tristão a partir da cabaça ou porongo: arte na sala de aula. (Foto / Divulgação)

A artesã mineira Valéria Tristão assume nova tarefa a partir de outubro. Convidada para ministrar aulas no Instituto de Ciência e Tecnologia da Universidade Federal de Minas Gerais, Valéria irá percorrer vários municípios com a missão de apresentar aos habitantes a arte da cabaça ou porongo. O objetivo do projeto é proporcionar uma renda alternativa à população de Minas Gerais, principalmente nos municípios mais pobres.

Expositora da Art Mundi, feira mundial de artesanato que acontece entre os dias 31 de agosto e 9 de setembro no Mendes Convention, em Santos, Valéria trabalha com a cabaça há nove anos. Das formas diversas do fruto da trepadeira, comum em várias regiões do país, ela cria galinhas, bonecas, balões, casas de passarinho, santos e noivos, sem limites para a imaginação.

“Eu comecei trabalhando com panos de pratos, bordado e crochê, mas foi no artesanato com a cabaça que eu encontrei o meu caminho artístico e o meu sustento”, diz Valéria.

O convite para que a artesã ministrasse aulas faz parte do projeto do Instituto Federal de Educação e Ciência Tecnologia, voltado para atividades extracurriculares, integrado também pela Emater, órgão de assistência agrícola do governo, que irá auxiliar a população dos municípios de baixo desenvolvimento do interior de Minas a plantar a cabaça e transformá-la em atividade econômica e cultural.

Durante a 10ª edição da Art Mundi, em Santos, Valéria pretende expor uma variedade de peças concebidas a partir da cabaça e reservar o restante dos 20 metros quadrados de seu estande para uma oficina que pretende oferecer aos visitantes da feira. “Serão três sessões por dia e as pessoas sairão sabendo todos os segredos para produzir a arte em cabaça e evitar que a casca do fruto se decomponha”.

Valéria ensina: antes de iniciar o trabalho de artesanato é preciso lavar a cabaça, retirar a película que protege a casca, borrifá-la com veneno contra insetos e só então iniciar a pintura e modelagem.

A cabaça ou porongo teve influência decisiva entre os índios, principalmente na fabricação de utensílios domésticos. Até hoje a cuia – nome originário do tupi – é usada na Região Sul do Brasil no hábito de tomar o chimarrão. Para isso, escolhe-se cuidadosamente o formato da cabaça, que deve aparentar o seio de uma mulher.

A Art Mundi deve reunir cerca de 100 expositores de 20 países e 15 estados brasileiros durante os dez dias de realização. Os horários são os seguintes: de segunda a sábado e feriado das 14h às 22h, domingo das 14h às 21h. Os ingressos custam R$ 10 (R$ 5 para as pessoas com mais de 60 anos). Crianças até 12 anos não pagam. Mais informações no site www.artesanatodiretriz.com.br