Esgotamento do gasoduto Bolívia-Brasil, o Gasbol, e a demanda das indústrias deve gerar debate logístico no estado

Wilson Bill, presidente do Sindirepa-PR: “opções logísticas que não pareciam viáveis há alguns anos, podem tornar-se econômicas nos próximos anos”.
O presidente do Sindicato da Indústria da Reparação de Veículos e Acessórios do Paraná (Sindirepa-PR), Wilson Bill, defendeu o convênio firmado pela Compagas (Companhia Paranaense de Gás), a Agência de Fomento do Paraná e o governo do estado para a criação de linhas de crédito que visam o incentivo do uso de Gás Natural Veicular (GNV).
O acordo assinado pelo governador Beto Richa, no final de março, disponibiliza R$ 10 milhões para veículos utilizados na prestação de serviços, nas oficinas reparadoras e em postos de combustível.
De acordo com Bill, signatário do convênio, a linha de crédito irá permitir a conversão com tecnologia de ponta, em que serão utilizados kits de quinta geração que possuem alto rendimento e garantem mais economia e redução da emissão de poluentes no meio ambiente.
“O gás natural é uma alternativa econômica que não pode ser desprezada: é menos poluente, reduz o custo de combustível em 50% e garante um desconto de IPVA (o imposto sobre veículos automotivos) de até 75%”, afirmou o dirigente.
Apesar disso, Bill admite que será preciso uma reeducação do motorista no que diz respeito à manutenção e à inspeção veicular. Um carro a gás exige muito dos componentes, principalmente do motor de ignição e do filtro de ar, entre outros itens e, por ser movido a gás, a inspeção é obrigatoriamente anual.
“Mas nós estamos falando de um combustível que rende 12, 13 quilômetros por metro cúbico enquanto um automóvel a gasolina percorre seis por litro. Por outro lado, a inspeção veicular já é uma realidade em estados como São Paulo e deverá ser obrigatória em todo o país a partir do ano que vem”.
O convênio assinado pelo governo tem validade até 2014 e a data não foi escolhida ao acaso. É nesse período que a Compagas prevê o limite de fornecimento de gás natural para todo o estado e o início das dificuldades para o atendimento da demanda.
FEIRA DE LOGÍSTICA
De acordo com Wilson Bill, este pode ser um dos temas discutidos na Logtech – Feira de Tecnologias em Logística, Armazenagem e Comércio, prevista para acontecer em junho do ano que vem no Expotrade Pinhais, em Curitiba.
Estudos da Compagas apontam para o esgotamento de fornecimento do gasoduto Bolívia-Brasil (Gasbol), que atende a região Sul do país. As alternativas seriam a construção do gasoduto Sarandi – Araucária – Curitiba – Paranaguá, com extensão de 382 km e que seria abastecido pelo combustível vindo do porto de Paranaguá ou um trecho reduzido (107 km), que excluiria o município de Sarandi, no Noroeste do estado.
Também está previsto, segundo Wilson Bill, a importação do gás natural, vindo principalmente da Rússia, que seria criogenizado (congelado em nitrogênio líquido) para ser transportado em navios, voltando a seu estado natural no porto de Paranaguá.
“Hoje as opções logísticas que não pareciam viáveis há alguns anos, podem tornar-se formas econômicas para as indústrias paranaenses, que consomem a grande parte do Gasbol que chega ao estado (1,04 milhão de metros cúbicos / dia)”, afirma o dirigente.















